Efeitos da Operação Carne Fraca geram apreensão na Lapa

André Dusek, Estadão Conteúdo


Fonte: RIC mais

Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo

Desde a deflagração da Operação Carne Fraca, cidades da região metropolitana de Curitiba estão em alerta. O foco não está em novas denúncias de corrupção, mas no que pode ocorrer com a economia de cada uma caso as empresas citadas na investigação entrem em crise ou até mesmo fechem as portas. É o caso de Lapa.

O município abriga uma das sedes da Seara, que concentra a produção em frangos e derivados. Recentemente, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, esteve na empresa para tentar estancar a sangria causada pela divulgação das investigações da Carne Fraca.

Na mesma semana, a JBS – dona da Seara – anunciou a suspensão da produção por três dias. A medida não atinge a produção de frango, mas o município está apreensivo.

“Prefiro nem imaginar a cidade ficar sem a empresa”, disse o prefeito Paulo César Furiati (PMDB). Segundo ele, um dia antes da deflagração da Operação Carne Fraca, a Seara comunicou a prefeitura que iria investir R$ 20 milhões para aumentar a produção de frangos na empresa. “Por dia, 190 mil frangos são abatidos. Com o investimento – que seria a compra de uma nova caldeira – o número aumentaria para 250 mil”, afirma. “A consequência disso seria o aumento de empregos e de receita para a cidade. Dormimos com um sonho e acordamos em um funeral.”

A cidade tem 45 mil habitantes e cerca de 40% vive no meio rural. A Seara emprega 1,8 mil pessoas e compra frango diretamente de 800 produtores, chamados de integrados. Eles recebem toda estrutura da Seara para criar frangos para abate, como ração e medicamentos. Segundo a prefeitura, cerca de 350 produtores integrados trabalham apenas para a Seara. No ano passado, 1,8 milhão de frangos foram abatidos.

Um dos produtores da cidade, que prefere não ser identificado, afirma que está com 15 mil frangos que serão abatidos nos próximos dias. “A empresa traz o pintinho e nós cuidamos por 40 dias até o abate. Eu investi cerca de R$ 300 mil para atender às exigências de qualidade da empresa, mas o lucro é muito baixo. Minha sorte é que não dependo só disso. Mas conheço muitos que vivem só da produção de frango”, afirma.

“Recebemos críticas por depender tanto economicamente de uma empresa. Mas o fato é que trouxe benefícios à receita da cidade e melhorias em outros setores, como transporte e construção de ruas para acesso aos produtores”, diz o prefeito. Ano passado, o município arrecadou R$ 32 milhões de ICMS, dos quais 24,5% são referentes a comercialização de produtos produzidos pela Seara.