Delegado de Polícia Civil da Lapa faz alerta sobre situação carcerária no município vizinho

Em entrevista exclusiva cedida ao Canal da Cidade, jornal do município da Lapa, o Delegado de Polícia Civil Vinícius Fernandes Maciel fez um importante alerta sobre a situação da carceragem da Delegacia local, que tem capacidade para 14 presos, mas conta atualmente com 60 detentos. Segundo ele, a iminência de uma fuga é grande. “Isso aqui é uma bomba relógio, cedo ou tarde pode acontecer uma fuga.”

Apesar das limitações já conhecidas com relação a recursos humanos e infraestruturais, o Delegado citou a carceragem como a maior dificuldade enfrentada pela Polícia Civil responsável pelos municípios de Lapa e Contenda. “Isso é um desvio de função absurdo que é imposto pelo Estado do Paraná à Polícia Civil, exclusivamente por uma questão econômica. É muito mais barato você manter um preso em uma delegacia de polícia do que construir presídios ou cadeia pública para manter esses detentos em local adequado. Os policias aqui deixam de investigar outros crimes porque tem que assumir a função de agente de cadeia, e eu como delegado e policial tenho que assumir a função de diretor de presídio e atuar em situações de crise quando acontecem rebeliões aqui dentro. Quase toda semana presos tentam cavar buracos para fugir.”, contou.

Vinícius afirmou que algumas melhorias já foram feitas na Delegacia local desde que ele assumiu como delegado. A colocação de chapas de ferro na laje e a instalação de câmeras de segurança no corredor da carceragem para evitar fugas são algumas medidas tomadas. Ainda assim, os problemas são grandes. “Temos aqui uma carceragem no centro da Lapa e com superlotação. Esse prédio teria que ser reformado e transformado em uma cadeia pública e a sede da Polícia Civil teria que estar em outro lugar. Eu não falo isso só para a segurança dos agentes que trabalham aqui, eu falo isso para a segurança da cidade. Todos corremos um risco muito grande com essa situação.”

Perguntado se Lapa e Contenda compõem uma região violenta, Maciel disse que em 2015 foram registrados 30 casos entre homicídios e latrocínios e em 2016, 27, números que seriam acima da média nacional. “Então não dá pra dizer que aqui não é uma região violenta.”, afirmou.

Por fim, o Delegado reiterou que a população pode ajudar a Polícia Civil ao cobrar dos governantes propostas para o setor de segurança e também citou a participação das pessoas nos debates sobre segurança pública como fundamental.

Foto: Jornal O Regional / Arquivo