Cautelosos, agricultores diminuem procura por financiamentos

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Saca do milho foi comercializada por valor inferior ao da safra anterior, conta o produtor. Foto: Henrique Budziacki.

Alexsandro Wojcik

Já não é novidade que o país enfrenta uma crise financeira que afeta diversos setores da economia. Na área agrícola não é diferente. Boa parte dos produtores de Contenda e região dependem de financiamentos para a compra de equipamentos e custeio de suas safras e têm enfrentado uma situação de dificuldade de acesso ao crédito. Isso porque as taxas de empréstimos sob a linha de crédito conhecida como Finame subiram recentemente e devem ter nova alta durante o mês de julho.

Como um dos resultados, as vendas nacionais de maquinários agrícolas tiveram uma queda de aproximadamente 20% só neste primeiro semestre de 2015, segundo informações da associação de montadoras Anfavea. Além dos maquinários, insumos agrícolas como agroquímicos e fertilizantes de solo também estão perdendo força nas vendas.

Em Contenda, segundo a Emater, só agora a procura pelo auxílio da instituição na elaboração de projetos de financiamento para plantio vêm se equilibrando. No início do período de elaboração de empréstimos a procura tinha diminuído consideravelmente. “No início a procura estava baixa, mas agora vem se equilibrando. A migração de culturas deve ser levada em conta”, explica Hamilton Borges, presidente da instituição. “Geralmente o financiamento é fechado cerca de 60 dias antes do plantio, de modo que o produtor tenha tempo de se preparar. Sendo assim a procura pode aumentar para os próximos períodos, correspondentes a outros cultivos”, finalizou ele.

Aquém a fatores como a da alta nas taxas, há o fato de que a lavoura nem sempre rende o esperado pelos produtores – o que aumenta a cautela. Na divisa entre Contenda e Lapa, por exemplo, o agricultor Henrique Budziacki plantou cerca de cinco hectares de milho na última safra. Ele comentou que a produção do grão foi excelente, mas que, em contrapartida, o preço por saca esteve pelo menos R$ 4 mais baixo em relação à safra anterior na hora da comercialização. Henrique, porém, garante que já faz o planejamento para a próxima safra do grão. “Vamos tentar compensar na safra de verão”.