Em meio a panelaço, Dilma pede união dos brasileiros e evita falar da Lava Jato

Dilma

Dilma durante o pronunciamento. Foto: Divulgação.

 

Em pronunciamento em cadeia nacional neste domingo (8) por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a presidente Dilma Rousseff pediu união do povo brasileiro, defendeu as medidas de arrocho fiscal adotadas pelo governo e anunciou a lei do feminicídio, que será sancionada nesta segunda-feira (9). Apesar de ter se reunido na tarde deste domingo com o núcleo político do Palácio do Planalto para discutir internamente os desdobramentos da Lava Jato, durante todo o discurso Dilma evitou falar do assunto. Na última sexta-feira (6), o caso ganhou um novo capítulo com a divulgação dos nomes de 34 parlamentares que serão investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dilma frisou diversas vezes que a crise internacional se agravou e, por isso, a forma de lidar com ela precisou mudar. “Nessa segunda etapa da crise, temos que usar armas diferentes e mais duras das que usamos em um primeiro momento”, afirmou Dilma.

Ela disse ainda que até o ano passado o governo absorveu os efeitos negativos da crise, mas chegou a hora de dividir parte do esforço com todos os setores da sociedade.

A presidente também pediu união e compreensão do povo brasileiro. “As pessoas têm todo o direito de se irritar e preocupar, mas peço paciência e compreensão. Se todos nos unirmos, será mais fácil”, conclamou Dilma.

A presidente também anunciou a sanção da lei que tipifica o feminicídio. A nova lei modifica o Código Penal e reforma a Lei Maria da Penha. Com a mudança, o feminicídio – quando uma mulher é morta por um agressor com o qual tem relação ou por violência sexual – se torna crime hediondo e impede que acusados sejam libertados após pagamento de fiança e aumenta as penas, que poderão variar de 12 a 30 anos.

Panelaço

Ao mesmo tempo em que a presidente Dilma Rousseff fazia seu pronunciamento, moradores de diversas cidades do país realizaram um panelaço simultâneo em protesto ao seu discurso. Em Curitiba, em bairros como Bigorrilho, diversas pessoas saíram as janelas fazendo barulho com panelas e talheres.

Diversos vídeos foram postados na internet durante o pronunciamento. Em alguns deles, as pessoas também apagavam e acendiam as luzes do apartamento como forma de protesto. Em alguns bairros de São Paulo, muitas pessoas de carro saíram buzinando pelas ruas.

Lava Jato

Dilma se reuniu neste domingo com os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Relações Institucionais) e José Eduardo Cardozo (Justiça) para discutir a Lava Jato. Não foram divulgadas informações sobre o encontro, mas espera-se que o ministro Cardozo tenha apresentado resumo da defesa feita por ele ontem à imprensa, a respeito da citação ao nome de Dilma nas delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O STF não abriu inquérito contra a presidente, mas os relatos de desvios na estatal para a campanha do PT em 2010 foram mantidos no pedido de abertura de inquérito contra o ex-ministro Antônio Palocci.

Fonte: Gazeta do Povo