Procurador da Lava Jato cita acidente com adolescentes de Contenda ao falar sobre obras não realizadas em Rodovias do Paraná 

Procuradores da Lava Jato apresentaram denúncia contra o ex-governador Beto Richa na última Segunda Feira (28). Foto: Ramon Pereira / RPC

Alexsandro Wojcik com informações do G1 Paraná

Em reportagem exibida pela RPC TV recentemente, um procurador do Ministério Público Federal, Diogo Castor de Mattos, citou um acidente ocorrido em 2011 que vitimou adolescentes de Contenda ao falar sobre obras previstas em contrato e que não foram realizadas em Rodovias do Paraná. Essas obras, em sua maioria, tratavam-se de duplicações. O caso foi lembrado durante entrevista coletiva sobre as denúncias envolvendo o ex-governador Beto Richa (PSDB), preso desde sexta-feira (25) junto a outros réus do desdobramento da Operação Lava Jato que investiga os contratos com as concessionárias de pedágio no Paraná.

Na época, uma Van que levava crianças e adolescentes de Contenda, Balsa Nova e região para uma competição de Karatê em Foz do Iguaçu acabou batendo de frente com um caminhão na BR 277, em Matelândia. A Van transportava 17 pessoas e cinco delas morreram: Vinicius Gustavo Barth, de 13 anos, Darci Gonçalves da Cruz, de 42, Lucas Gabriel Kusman, 15 anos, Natasha Reis Moura Rocha, 12 anos, e Josiele Terezinha Hass, mãe de um dos atletas, de 44 anos. Estes três últimos eram moradores de Contenda.

Durante entrevista coletiva dada à imprensa, os procuradores da Lava Jato citaram o trecho em que os moradores de Contenda e região morreram como um exemplo dos trechos que deveriam ter sido duplicados mas que, contrariando o que estava previsto nos próprios contratos, não receberam melhorias.

“É uma rodovia que ficou famosa nesse tempo por dezenas, centenas de mortes, colisões frontais”, afirmou o procurador do MPF Diogo Castor de Mattos. Segundo ele, a rodovia era para estar duplicada desde 2004, segundo o contrato original, mas uma ata de reunião em 2003 desonerou a obrigação de duplicar a estrada. “Quando chega em 2011, tem um acidente de uma van de uns adolescentes de Contenda que iam disputar uma competição de karatê em Foz do Iguaçu. Simplesmente riscou do mapa seis adolescentes de 14, 15 anos.”, resumiu Mattos.

Segundo ele, após este acidente, a concessionária responsável (Ecocataratas) até duplicou um trecho da rodovia, mas apenas em 11 quilômetros, sendo que para isso ainda aumentou a tarifa do pedágio em 7%. “Em um trecho que devia ter 140 quilômetros duplicados há 10 anos, aumentaram a tarifa em 7% em todas as praças para duplicar 11 km”, afirmou o procurador.

Segundo o Ministério Público Federal, as concessionárias se comprometeram a duplicar quase mil quilômetros de rodovias no início dos contratos de pedágio no Paraná, mas até hoje apenas 273,5 quilômetros foram duplicados. Na avaliação da força-tarefa da Lava Jato, “muitas mortes teriam sido evitadas” se as obras de duplicação das estradas que estavam programadas para o Anel de Integração do Paraná tivessem sido realizadas.

“Esse talvez seja o caso da Lava Jato em que haja uma relação mais direta, clara, imediata, entre a corrupção e as mortes que ela ocasiona. Muitas mortes teriam sido evitadas se essas duplicações tivessem acontecido do modo adequado” disse o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol.

Segundo o MPF, um esquema de corrupção envolvendo o ex-governador Beto Richa (PSDB) e concessionárias de pedágio do estado desviou R$ 8,4 bilhões por meio do aumento de tarifas de pedágio do Anel de Integração, e de obras rodoviárias não executadas. O Ministério Público Federal apresentou denúncia contra Richa e outros 32 acusados na última segunda-feira (28).

Segundo a força-tarefa, o número de mortes nas estradas cai 75% quando as rodovias são duplicadas. “Nós estamos tratando de 722 km de rodovias que deveriam ter sido duplicadas e não foram”, afirmou Dallagnol.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve 1714 mortes nos trechos em que as duplicações estavam previstas em contrato, mas não foram efetivadas, nos últimos cinco anos.

Confira as reportagens completas, incluindo os vídeos na íntegra, no site do G1 Paraná >> https://glo.bo/2sVEaTp / https://glo.bo/2sUr74j