URBS e Comec não se entendem e passageiros de Araucária não conseguem desembarcar em terminal

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Foto: Antônio Nascimento.

Uma nova birra entre a Urbs (Urbanização de Curitiba) e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) impediu que passageiros que vinham de Araucária, pela Linha Araucária/CIC, desembarcassem no terminal da Cidade Industrial de Curitiba, na manhã desta quarta-feira (15). Um piquete por parte de fiscais da URBS e guardas municipais fez com que os passageiros precisassem descer em frente ao terminal e acessá-lo, literalmente, pela porta dos fundos.

A linha foi anunciada pela Comec na última terça-feira (13) e a URBS, por sua vez, diz não ter sido notificada. O prejuízo ficou para os passageiros, barrados nos primeiros ônibus da linha que chegaram ao terminal.

“Isso é muita humilhação para a gente. Agora temos que descer aqui do lado e entrar, sorte que pelo menos hoje não cobraram passagem”, disse o usuário Fernando Carlos, que utilizou a nova linha, que não durou nem duas horas, já que foi retirada de circulação pela Comec devido ao bloqueio no terminal.

O gerente de tráfego da empresa responsável pela nova linha, Alduir de Oliveira, disse que foi feito o que a Comec determinou. “A ordem era de que colocássemos quatro carros operando, mas chegando aqui fomos surpreendidos com essa determinação da URBS para que os ônibus não entrem nos terminais”, explicou.

A Comec informou à Banda B que a Linha Angélica (Araucária) – CIC já existia e foi retomada na data de hoje (15). Em nota, disse estranhar a atitude da URBS:

”A Comec estranha a atitude da Urbs e da Prefeitura de impedir os passageiros de descer no Terminal CIC, em Curitiba. A retomada da Linha foi comunicada à Urbs no dia 14. Em virtude da ação da Urbs, a Linha está suspensa para a busca do entendimento. A Comec rejeita, ainda, a decisão da Urbs de impedir a entrada em Curitiba da Linha Ligeirinho Araucária – Curitiba que também circula no Terminal CIC.“, diz a nota.

Logo depois da divulgação da nota da COMEC, a URBS rebateu as críticas da Coordenadoria com a seguinte nota:

“Hoje Curitiba foi surpreendida por um ato unilateral do governo do Estado. Ônibus de uma nova linha metropolitana, criada sem consulta à Urbs e em desacordo com as possibilidades técnicas, passaram a circular em Curitiba.

De forma inédita, esses ônibus foram escoltados pela Polícia Militar. Decisões unilaterais, como as tomadas pelo governo, prejudicam os usuários e representam uma afronta à autonomia do município e ao permanente diálogo defendido por Curitiba.

A Urbs não foi consultada sobre a possibilidade de uso dos terminais urbanos. Apenas comunicada com menos de 24 horas de antecedência.

Desta forma, a Comec – responsável pelo gerenciamento do transporte metropolitano – interfere em um sistema que não é de sua responsabilidade, criando constrangimento para usuários e trabalhadores.

Ao tomar conhecimento, pela imprensa, da intenção da Comec de criar uma linha vinda de Araucária com ponto final no Terminal CIC, a Urbs encaminhou e-mail alertando para a falta de condições técnicas do terminal para receber uma nova linha. No comunicado, a Urbs alertou que este terminal não tem condições para estacionamento seguro dos ônibus e escoamento dos usuários.

Em respeito aos usuários, a Urbs ofereceu como alternativa o Terminal Pinheirinho, que teria condições de abrigar a nova linha e com vantagens para o usuário que contaria com várias opções de integração.

De forma responsável e para evitar maiores prejuízos, os passageiros destas linhas não foram impedidos de entrar no terminal sem pagar nova passagem.

A Comec e a empresa estão sendo notificadas sobre a irregularidade do ato.

O Estado será responsabilizado por qualquer custo adicional gerado ao sistema de transporte público de Curitiba.”, diz a URBS em nota

Comec X URBS

Fim da integração, passagem a R$ 5,80 em Araucária, problemas no terminal de Fazenda Rio Grande e outros imbróglios fazem parte da novela entre URBS e Comec neste ano, desde quando chegou ao fim o subsídio do transporte coletivo que garantia a integração entre a capital e a região metropolitana.

Nesta semana, protestos aconteceram no Terminal Vila Angélica, em Araucária, e em outros terminais da RMC, quando muitos usuários reclamaram do fim do pagamento por parte do cartão transporte da URBS. Agora, resta saber qual será o próximo capítulo.

Fonte: Banda B