Contenda completa 66 anos nesta terça-feira, 14 de novembro

Fotos: Alexsandro Wojcik / Jornal MARCA.

Alexsandro Wojcik

Elevada à categoria de Município no ano de 1951, Contenda completa 66 anos de emancipação política nesta terça-feira, dia 14 de novembro. Até 1951, Contenda era um Distrito Judiciário que fazia parte da área territorial da Lapa. Antes de ser Distrito Judiciário, Contenda também foi Distrito Policial e Administrativo do município vizinho, e antes de se tornar qualquer tipo de Distrito era intitulado como Núcleo Colonial: este que começou a se formar quando colonos alemães e poloneses se estabeleceram na região por volta do ano de 1895.

Segundo registros históricos, quando os colonos imigrantes chegaram a estas terras acabaram encontrando uma povoação nativa no local, que passou então a ser palco de acirrados combates pela posse das terras. Dai já surgiram os primeiros episódios que deram nome à própria cidade: no dicionário, afinal, Contenda é sinônimo de “disputa ou discórdia, briga, ação ou efeito de contender, litígio ou polêmica”.

Residência típica de imigrantes poloneses.

A maior curiosidade com relação ao surgimento de Contenda está no fato de que o que atraiu os colonos estrangeiros e deu consistência à povoação local foi o advento da Estrada do Imperador, via antes conhecida por Estrada da Mata e que foi reconstruída para uma visita do Imperador Dom Pedro II à cidade da Lapa no ano de 1880. A Estrada do Imperador passa pelo atual quadro urbano da Cidade – mais precisamente pelas Avenidas Eleutério de Souza Padilha e João Franco, no centro, e pela Avenida das Américas, que liga o centro à Serrinha.

Os detalhes históricos e as figuras que tiveram grande contribuição no surgimento e desenvolvimento do município são descritas com precisão no livro ‘Contenda: sua história e sua gente’, de Hildemar Cardoso Moreira, livro que, aliás, é a fonte bibliográfica deste texto.

Abaixo, um relato em primeira pessoa do Sr. Hildemar, que foi o primeiro Secretário do Município de Contenda (02/01/1953 a 05/03/1980) e, além do livro, também é co-autor da letra do Hino Municipal.

“A Contenda que eu vi”

Sr. Hildemar participando de Desfile Cívico (retrato é do 1.º Prefeito de Contenda, Estanislau Szczypior). Foto: reprodução / Facebook

“No dia 2 de janeiro de 2016 eu completei 63 anos de vivência nesta Contenda abençoada por São João Batista e que me acolheu carinhosamente tornando-me assim seu Cidadão Benemérito.

Eu vi no decorrer desses anos a luta ferrenha dos contendenses para vê-la crescer e se tornar a bela cidade que é hoje. Por isso eu posso dizer, usando a frase do velho índio Timbira criado pelo poeta Antônio Gonçalves Dias: “Eu vi, meninos, eu vi!”

Eu creio que a maioria de seus habitantes nasceram depois daquele memorável dia em que aqui cheguei para assumir a primeira Secretaria Municipal, a convite do saudoso 1º Prefeito Estanislau Szczypior, por isso se torna difícil para essas pessoas imaginar como era a Contenda que eu vi.

Casa Paroquial e Igreja Matriz São João Batista.

Mas eu vi as três ruas do quadro urbano sem qualquer revestimento e sem iluminação; eu vi a Paroquia de São João Batista com apenas uma Capela, e vi o lançamento da “pedra fundamental” da atual Igreja.
Eu vi inúmeras carroças estacionadas na Avenida João Franco e nas proximidades da Igreja nos horários de missa, porque era então o veículo de transporte de nossos colonos, tanto para transportar os seus produtos, quanto para passear.

Eu vi a Prefeitura e a Câmara Municipal funcionando em um casarão de madeira que antes era uma residência, por isso a Câmara funcionava em uma dependência em que existia um fogão a lenha que fora coberto com tábuas.

Eu vi a Avenida Eleutério de Souza Padilha servindo de divisa de Contenda com Araucária de forma que residências, lojas e indústrias entre a margem esquerda dessa Avenida e o Rio Izabel Alves, pertenciam ao Município de Araucária e as que estavam situadas em sua margem direita, pertenciam a Contenda.

Eu vi funcionando na casa que abriga hoje o Restaurante Casarão uma Agência da Caixa Econômica gerenciada pelo saudoso Domingos Baggio, e o Studio fotográfico Elite do Fotógrafo, de Aderbal Pavloski.

Eu vi a abertura da Avenida Estanislau Szczypior para dar acesso ao loteamento Jardim Esplanada e o lançamento da pedra fundamental do Colégio Estadual Miguel Franco Filho cuja construção ficou a cargo da Construtora Atenas.

Eu vi o Clube Recreativo 1° de Setembro funcionando em um casarão de madeira sem possuir palco para os músicos, vi também a Delegacia e Exatoria de Rendas Estaduais funcionando em residências de madeira.

Eu vi ser instalado para o domínio da Prefeitura o primeiro gerador de luz elétrica com uma potência de 40 KVA, nos idos de 1977, e vi também a abertura de uma Agência Telefônica e do primeiro Banco (o Bamerindus) sob a gerencia do saudoso Adalberto Marques.

Mas eu vi Contenda ser cognominada “Capital da Batata” porque o trabalho valoroso de seus agricultores conseguiu produzir em sua pequena extensão territorial mais de dois milhões de sacas anuais desse tubérculo.

Festa da Batata no fim da década de 70. Na época, os produtores perfilavam os caminhões para fazer a exposição de seus produtos.

Eu vi também o esforço de seus Prefeitos e dos Legisladores das diversas épocas para corresponder aos anseios da população que quer a sua cidade dotada de escolas, colégios, creches, hospital e centros de saúde, e de vias públicas revestidas.

Desfile Cívico de 1977.

Eu vi todos os desfiles comemorativos da Independência do Brasil, desde aqueles que participavam poucas centenas de estudantes assistidos por algumas dezenas de pessoas até os que se realizam hoje, com milhares de estudantes e outros milhares de assistentes que lotam toda extensão da Avenida João Franco, numa demonstração de civismo.

Eu vi tanta coisa acontecer minha querida Contenda… eu vi teus filhos nascendo e vi teus filhos partindo para as regiões celestiais na marcha das gerações e agradeço a Deus por aportar em teu solo e participar humildemente de tua linda história que hoje festeja os sessenta e cinco anos de emancipação.”

Texto escrito em 05/11/2016