Município completou 64 anos de emancipação política

Vista da Câmara (4)

Alexsandro Wojcik

Contenda completou 64 anos de emancipação política no último sábado, dia 14 de novembro. Situada a 50 km da capital do Estado, Curitiba, a uma altitude de aproximadamente 900 metros em relação ao nível do mar, Contenda possui uma área de 299 km², segundo último sendo do IBGE. A população soma, também segundo a última estimativa oficial do IBGE, 17.525 pessoas.

Por muitos anos a cidade ficou conhecida como a Capital da Batata, em decorrência da grande produção do tubérculo no município. Por muito tempo, aliás, realizou-se a Festa da Batata, evento que ficou conhecido em todo o Estado do Paraná. A referência, na verdade, é usada até hoje, principalmente por moradores de outras cidades. Apesar de não deter a mesma produção, outrora de destaque, o município ainda é potencialmente agrícola, pois esta é a atividade econômica que concentra o maior número de pessoas, sendo o segundo o setor do comércio. Atualmente as festas mais importantes são a do Padroeiro, de responsabilidade da Paróquia Central, realizada em meados de cada ano, e, justamente, a de aniversário, realizada pela Prefeitura Municipal.

História

Até a década de 50, Contenda fazia parte da área territorial da Lapa, mas no ano de 1951 foi desmembrada e passou a ser um município. O que deu consistência à povoação de Contenda foi o advento Estrada do Imperador, que recebeu esta denominação após a visita do Imperador Dom Pedro II à cidade da Lapa, em 1880. Esta via, antes conhecida por Estrada da Mata encontrava-se em péssimas condições de trafegabilidade, sendo que sua melhoria foi autorizada pelo Imperador, que desejava conhecer as terras paranaenses.

O responsável pela melhoria da Estrada da Mata, em 1878, foi o engenheiro inglês Walter Joslin, em companhia de seu concunhado Jaimes Good. A Estrada do Imperador, como posteriormente passou a ser chamada, passa pelo atual quadro urbano de Contenda, pelas Avenidas Eleutério de Souza Padilha e Avenida João Franco, no centro, e Avenida das Américas, que liga a Serrinha.

Pela Estrada do Imperador passariam ainda tropas que agregariam voluntários do lugar para combater na Revolução Federalista, contra os Maragatos e a favor da República, durante o Cerco da Lapa. Também, mais tarde, o mesmo aconteceria pela participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, quando muitos contendenses se prontificaram a lutar em território estrangeiro.

Povoação

Residência típica de imigrantes poloneses.Há controversos registros históricos quanto à predominância da etnia polonesa em Contenda. Isso porque se atribui aos imigrantes poloneses e alemães a formação do povoado do município, o que, porém, é equivocado, já que na oportunidade da chegada destes imigrantes, a então colônia Contenda já existia. “Quando escrevi ‘Contenda: Sua história e sua gente’, em 1995, encontrei alguma coisa que não correspondia à verdade em minhas pesquisas.”, relata o autor do livro, do qual provém toda a fonte bibliográfica desta matéria, Hildemar Cardoso Moreira.

Segundo constam os registros históricos, imigrantes alemães e poloneses foram para o leste da cidade da Lapa por volta de 1895 com a finalidade de, nas proximidades do Rio Iguaçu, estabelecerem um núcleo colonial: o núcleo colonial de Contenda. O fato é que quando os colonos imigrantes chegaram às terras a eles destinadas, em 1895, encontraram uma povoação já existente no local, que passou, então, a ser palco de controvérsias e acirrados combates pela posse das terras. Essa povoação era formada por nativos.

Antes, em 1871, foram sendo formados vários núcleos poloneses em terras que lhe foram doadas pelo Governo. Ao que se pôde constatar, no entanto, nenhum destes grupos de poloneses foi enviado a Contenda à época. O que se faz concluir que o povoado embrionário de Contenda recebeu transmigrantes poloneses e alemães no decorrer de sua formação. Estes imigrantes anteriormente haviam sido deslocados a outros núcleos de terras.

De modo ordeiro e pacífico, o trabalho na agricultura, que deu grande impulso ao desenvolvimento de todas as atividades do povoado, só foi possível após dado fim às questões sobre as terras. Algum tempo após sua fundação, a Colônia Contenda transformou-se em Distrito Administrativo da Lapa.

João Soares Franco e seu irmão Constantino Soares da Silva merecem destaque naquele momento histórico por seu trabalho em prol do desenvolvimento da região, por terem poder de liderança e índole política na época. O Coronel João Soares Franco se tornaria, no início do século XX, o primeiro representante de Contenda na história política da Lapa. Foi através de seu trabalho que Contenda foi elevada à categoria de Distrito Policial em 1913 e Distrito Judiciário em 1918.

João faleceu em maio de 1921 e seu genro herdou o comando político do Distrito de Contenda: o Coronel da Guarda Municipal Miguel Franco Filho. Miguel Franco Filho foi um homem de grande visão e liderança política. O progresso de Contenda está diretamente ligado ao seu nome.

Emancipação política

No dia 14 de novembro de 1951, o então governador do Estado do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Neto, sancionava a lei que elevava Contenda à categoria de município. Exatamente um ano e um mês depois, o primeiro prefeito da história da cidade tomava posse: Estanislau Szczypior.

A emancipação teve seu início cinco anos antes da sua oficialização, através do trabalho dos principais nomes que contribuíram para ela. Em 1946, Otávio José Kuss era eleito prefeito municipal da Lapa e em seu mandato foi criado em Contenda uma espécie de comissão pró-criação do município, que um ano depois, mais precisamente em 27 de julho de 1947, enviou ao Governo do Estado os ofícios que reivindicavam a emancipação de independência política do então Distrito Judiciário de Contenda.

Entre os membros que participaram ativamente das atribuições da comissão pró-criação do município, destacam-se alguns nomes, como: Casemiro Szczypior, Emmanuel Ignácio de Lara Santos, Isidio Sicuro, Miguel Mukoski, Theóphilo Gonçalves, João de Souza Padilha, Francisco de Souza Padilha, Júlio Baumel e João Schmidt, que juntos formalizaram o memorial enviado ao então Governador, onde alegavam que o distrito de Contenda já estava desde 1930 dentro dos padrões mínimos previstos em lei para a criação do respectivo município. Nomes que por sua extrema contribuição para o desmembramento de Contenda junto à Lapa ficaram na história do município contendense.